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Hora de começar com a transferências de análises de games aqui no blog (vindas do meu blog pessoal). E para começar (e aproveitar o hype do novo site do Kojima), decidi escolher a análise do Metal Gear Solid. Sei que muitos podem achar ruim de escrever sobre um jogo antigo que foi lançado em 1998, mas não é apenas um jogo. É O Jogo. Digamos que, se não fosse o Triple Triad de Final Fantasy VIII, Metal Gear Solid seria o melhor game do Playstation que joguei. Mas considero este game o melhor do console, já que tudo no jogo é bom, e você vai entender o porquê nesta análise.

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Solid Snake e Meryl – Personagens da série Metal Gear

Metal Gear Solid é o terceiro jogo da série Metal Gear, que começou no MSX e no Nintendinho, mas foi a partir daqui que a série deu um salto. Na verdade a indústria dos games deu um salto tremendo em tecnologia e narrativa com este jogo. Digamos que este e o Final Fantasy VII foram as primeiras super-produções da história dos games, com jogos de orçamento enorme, produção digna de um glamour de um filme, muita gente ajudando a desenvolver, etc etc etc. Em suma, um jogo caro e altamente complexo, isso para a época, onde os videogames não eram tão complexos quanto hoje.

Além disso os designers não estavam em sã consciência do que estavam fazendo! Acho que eles estavam iluminados por algum tipo de aura mística para criarem algo assim, mas enfim, voltemos a realidade.

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Sim, realidade: Metal Gear Solid é um game realista. Para começar, vamos falar de um dos elementos de maior sucesso do jogo: o enredo. Sinceramente, o enredo é tão plausível que ele poderia ser real. Quem não garante que os EUA estão com algum robô no subsolo com armas nucleares? Ou mesmo um país rebelde pode conseguir criar uma arma bélica de destruição em massa?

Aqui temos Solid Snake, um agente que acaba sendo forçado a ir numa missão num local perto do Alaska para libertar dois reféns e impedir um ataque nuclear. Durante este tempo acaba descobrindo que eles tem um robô capaz de carregar ogivas nucleares, chamado de Metal Gear. Pode parecer simples, mas Hideo Kojima, o cara por trás deste jogo, foi além e conseguiu colocar tanto realismo que parece ser tudo real. Fora que o enredo daria um belo filme!

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Mas 2 a 3 horas de tela grande não são suficientes para condensar satisfatoriamente um dos games mais divertidos de todos os tempos.

Ah, a diversão. O fator mais importante de um jogo! E neste game a diversão é incrível. A sua única falha é o mesmo ser curto, mas o fator replay do jogo é elevadíssimo, principalmente na versão Integral (aquela com 300 missões extras e com nome de cereal…). Oras, quem não repetiu o jogo apenas para passar pelas fases e zoar com os oponentes na Stealth Camouflage? Ou mesmo para ver o outro final? Ou mesmo para procurar outras rotas? Procurar nos detonados ou na internet a localização dos fantasmas (os designers do jogo) e tirar fotos…

Gráficos: ok, hoje os gráficos podem parecer ultrapassados, mas na época não eram. Os caras da Konami souberam fazer um game com gráficos impressionantes, principalmente na roupa do Snake. Além deles terem sido espertos para deixar os soldados encapuzados, para não precisarem ter de fazer muitos modelos diferentes. Mas até eles parecem que tem vida. Você vê eles andando, dormindo, confusos…fora o recurso de colocar uma onomatopéia visual em cima das cabeças se tornou um dos pontos mais interessantes da mecânica de jogo (que, aliás, foi copiado dos primeiros Metal Gear). Ver uma interrogação ou mesmo o ZzZ… pode parecer meio cômico, mas acaba ajudando o jogador a ver a vida dos oponentes.

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Nos cenários, apesar de terem sido muito divididos, a empresa também se superou. Uma coisa que percebi ao mexer um pouco com Java 3D alguns anos atrás era que mesmo colocando um cenário enorme, parte dele sumia. Em outras palavras, enquanto você caminha, o cenário vai se construindo, tendo um fundo preto. Em Final Fantasy XII, reparava que você via ao longe um cenário e apenas certos elementos se carregavam depois. O Romulo mesmo me disse uma vez que em Shadow of The Colossus uma montanha quer você vê se você vai até ela você efetivamente chega nela. No Metal Gear, dava para ver todo o cenário de fundo, e isso era essencial na mecânica de jogo, principalmente pra ver os oponentes.

A sua jogabilidade também é perfeita. Aqui os comandos conseguem responder de forma satisfatória e a curva de aprendizado é curta. O Roy Campbell também vai explicando a Snake alguns comandos da jogabilidade. São poucos comandos, mas que podem ser combinados. Aqui é necessário usar a espionagem pura: passe sem que o inimigo perceba. Matar um deles pode ser um risco e se ele te ver, o alarme é acionado e todos os guardas da área vão vir na tua direção. Mesmo que você os mate, outros virão, sendo que você terá de se esconder para que os inimigos parem de te atazanar. Depois que a contagem de perigo vai a zero (passando de Danger para Caution) que os guardas voltam à sua ronda habitual.

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No quesito de som, o jogo deu um show também! To falando que Metal Gear é um jogaço! Talvez a parte que mais chamou a atenção na época foi o som. Aqui o game é 100% dublado. Pode parecer banal isso, mas há 12 anos atrás não era. Era raro ver um game com este nível de trabalho. É claro que a melhor versão é a americana, que trouxe vozes que encaixavam tão bem nos personagens que nas versões posteriores eles usaram os mesmos dubladores. Kojima foi além e mostrou explicitamente o nome de cada dublador, reconhecendo o trabalho excelente dos caras. Isso virou parte da marca Metal Gear, onde nos quatro games principais da série (este e suas continuações no Playstation 2 e Playstation 3) mostra quem dublou cada personagem.

Metal Gear Solid mudou a indústria dos games. Depois que o game foi lançado e só teve notas altas pela crítica e jogadores, o desenvolvimento dos games começou a dar um salto tecnológico. Antes os games não eram tratados como super-produções, o que mudou com o lançamento deste game e de Final Fantasy VII, que considero os primeiros games mais difíceis que a indústria criou. Isso também alavancou as vendas do Playstation, um dos consoles mais vendidos de todos os tempos.

Este game se tornou um clássico. Todo mundo praticamente deve ter jogado ou pelo menos ter ouvido falar dele. Mesmo com suas continuações excelentes, este game está entre os melhores de qualquer ranking de qualquer jogador que tenha jogado Metal Gear. Mesmo hoje não tendo muito interesse em re-jogar o primeiro, os momentos em que eu joguei estão marcados na memória e dificilmente vão sair dela. Mesmo que eu acabe esquecendo alguma coisa, eu posso, se quiser, rever tudo de novo ligando o Playstation 2 e colocando a mídia para me divertir um pouco.

OBS: Post publicado originalmente no meu blog pessoal no dia 18/03/2008. Ele foi adaptado.

[Créditos das images: Gamespot, Daily Screenshots, Snesorama e Virgin Media]







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