Junto com Gran Turismo, a outra série mais conhecida dos jogadores no final da década de 90 é Need For Speed. Com games iniciais excelentes, a série fez história com alguns dos jogos, sendo que eu joguei mais o High Stakes (ainda entre os melhores de corrida que já joguei), os 2 primeiros Underground, Most Wanted e Carbon. No caso desse último eu joguei pouco, o que dá a entender que a série começava a entrar em declínio contínuo, com a crítica especializada criticando bastante os jogos. A primeira luz no fim do túnel foi o Shift, mas ele estava mais pra simulador do que para um game arcade. Então a Electronic Arts produziu, junto com um certo estúdio, fazer o próximo Need For Speed. Um estúdio chamado Criterion.

Volto 3 anos atrás. Comprei o PS3 com prestações fixas e tendo apenas o Metal Gear Solid 4 como game decente pra jogar. Queria algo diferente. Um game de corrida arcade. Entre uma e outra conversa com o Gustavo, fui na PSN Store europeia baixar a demonstração de Burnout Paradise, novo game de corridas de arcade de um certo estúdio de jogos da Inglaterra. Depois de ter visto um demo minúsculo tendo apenas algumas ruas para explorar eu queria mais. Comprei o Burnout, que ainda hoje é o melhor custo-benefício da PSN Store. 20 dólares por um jogaço. Se tornou, até hoje, o melhor game de corridas que já joguei na minha vida. Um jogo da Criterion.



A Criterion Games ficou famosa com a série Burnout, trazendo corridas alucinantes com foco arcade e poder ferrar seus oponentes. É complicado falar muito já que eu não joguei os games anteriores da série, ficando só com o Paradise no PS3. Um jogo praticamente perfeito: jogatina descompromissada, multiplayer fora de série, colaboração de todos os jogadores da sala em diversos desafios, corridas impressionantes contra pessoas que sabem mais do que você cada atalho dos circuitos, e o melhor: poder empurrar o seu oponente pro muro e ver o carro se despedaçar como se ele fosse de papel. Em Burnout Paradise a palavra Takedown se tornou a bola da vez. Fora todo o fator social, que foi intensificado aqui no Select Game com os MMBBs, que foram encontros online para competir, brincar e se ajudar ganhando troféus.

Mas porquê falar de Burnout Paradise sendo que esta é a análise de Need For Speed: Hot Pursuit? Porquê o game carrega o DNA de Burnout.

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Quando surgiram os rumores e depois a confirmação, muita gente via aqui como a redenção da série Need For Speed. Se é pra tentar voltar ao topo, que chame quem virou especialista em criar jogos de corrida. Mas havia aqueles que estavam com algum receio de que o game perderia a sua identidade ou que o game se focaria demais na destruição de carros. Um Burnout For Speed. E na época eu achava difícil a Criterion ir na direção da simulação nos moldes de um Shift ou do Gran Turismo 5. E não poderia continuar seguindo a rota dos jogos anteriores com temática underground: carros tunados e rachas noturnos nas cidades, sob risco de errar a mão. Qual seria a solução: voltar às origens com um jogo focado na perseguição policial, um elemento que estava presente em muitos jogos da série, desde o primeiro Hot Pursuit (Need 3) até os Underground e o Most Wanted, o auge da série com temática “mundo aberto”, com perseguições alucinantes com direito a helicóptero. A bola estava com a Criterion. Se ela fizesse um game meia-boca, a gente chegaria e diria que ela nunca deveria ter saído da série Burnout. Mas se ela fizesse algo memorável, ela pode se tornar a principal desenvolvedora dos games da série. Hot Pursuit ficou no meio-termo entre a perfeição de Burnout e a diversão de Most Wanted e dos jogos anteriores citados aqui.

O foco maior em Hot Pursuit, como já citado, é nas perseguições policiais. Quando a desenvolvedora anunciou que teria policiais num novo modo de jogo em Burnout Paradise achava que seria algo nos moldes do Hot Pursuit e do Most Wanted, com policiais te perseguindo na cidade. Só que o que eu vi foi apenas um modo online de “polícia e ladrão”, diferente do que imaginei e ficando de certa forma desapontado. Mas isso já tinha em Burnout com os Marked Man, com carros insanos querendo te destruir. Ainda assim queria voltar a jogar focado nesse ponto, fugindo de policiais que tem helicópteros, carros potentes e armamento pesado pra te prender, e Hot Pursuit trouxe isso de maneira espetacular.

Aqui o jogador tem 2 carreiras pra seguir: uma como Racer, e outra como “Policial” (Cop). Os Racers seriam os “bandidos”, os desafiadores da polícia, aqueles que vão fazer de tudo pra chegar no final e destruir os oponentes pelo caminho. Já os policiais, bem, não preciso entrar em detalhes: eles vão perseguir os Racers pelas rodovias. A adição mais importante no gameplay é no arsenal de armas e recursos à disposição, desde um turbo maneiro para os racers até o famoso helicóptero para os tiras. Cada “classe” tem o seu próprio arsenal, e as corridas são relativamente equilibradas para os 2 lados, e cada corrida tem uma certa quantidade de armas e existe um tempo para poder usar a mesma habilidade, similar aos sistemas de turno de RPGs clássicos.

Também tem um sistema de evolução em cada carreira. Cada corrida completada gera experiência, adquirida ao fazer algumas façanhas e ultrapassando adversários. Também tem conquistas internas, dando mais experiência para evoluir mais rapidamente, e a evolução ajuda a destravar carros mais potentes. Com carros melhores o jogador consegue ir em corridas mais avançadas, com dificuldade elevada. E é nessas corridas que a maior falha do game aparece: tempo de loading. Resetar uma corrida se tornou um martírio, pois demora muito tempo para carregar novamente. Qualquer corrida demora, e por ter corridas tendo de serem feitas com precisão de tempo e espaço então é torturante a espera, ainda mais quando o jogador está animado. Quebra totalmente o clima da ação.

Outro detalhe vindo de Burnout é a questão da competitividade entre os amigos. O sistema Autolog veio para ser uma mini-rede social interna, com rankings de tempos, uploads de fotos e notícias. O Burnout Paradise introduziu isso timidamente com os tempos nas ruas, mostrando o menor tempo, incentivando o jogador a tentar quebrar aquele tempo. Em Hot Pursuit temos um ranking para cada corrida e você pode enviar uma mensagem a um amigo falando que bateu aquele tempo. Se antes a competição se resumia mais a conversas informais (sou melhor do que você!) e posts com disputas de drift, hoje temos redes sociais internas com esta finalidade.

Quanto ao gameplay: aqui você faz corridas de um ponto a outro, em rotas lineares e com alguns atalhos ocasionais. Você pode até andar a esmo pelas estradas da Seacrest Country, mas nas corridas não tem essa liberdade, sendo bem lineares em alguns modos de jogo. Pelo menos aqui você pode escolher o desafio que quer completar primeiro, não tendo linearidade quanto as provas em si. Quanto aos modos de jogo, temos: Hot Pursuit (você como um Racer sendo perseguido pela polícia), Time Trial (com o título de Rapid Response como policial), Gauntlet (o jogador sozinho contra a polícia), Duel (você contra outro racer) e Interceptor (você, como policial, persegue um racer fugitivo). Alguns DLCs adicionam mais modos de jogo.

Quanto ao online, o game tem uma vida relativamente curta, se limitando mais aos modos de jogo, separados por níveis de carros que vão sendo destravados com os níveis das carreiras. Temos o Hot Pursuit (4 Racers x 4 policiais), Interceptor (1 contra 1) e Race (corrida comum), isso citando o que vem no game normal, sem os DLCs extras.

Need For Speed – Hot Pursuit entra nos melhores games de corrida da geração atual, trazendo diversão e adrenalina com a qualidade da Criterion. A duração do game é de cerca de 20 a 30 horas, aumentando caso o jogador procure platinar o game. Com o Autolog fica mais fácil querer detonar o tempo de um amigo da sua lista online, além de poder tirar screenshots com um Photomode e enviar para a internet, numa rede social simples e podendo acessar via PC. As perseguições policiais são insanas e trazem a emoção dos games anteriores. Recomendadíssimo, ainda mais para se preparar pro novo Most Wanted, previsto para ser lançado em novembro de 2012.

[Imagens via Fórum do UOL Jogos, Gamerzines e Softpedia]







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