BGS - Estande Ubisoft - Index


Durante 5 dias ocorreu em São Paulo a Brasil game Show 2015. Com organização melhor, a eliminação da farra dos Youtubers estrelinhas e novas empresas investindo no mercado (além das estandes) ditaram o evento este ano. O primeiro dia, fechado ao público, sempre será interessante para que a imprensa especializada, formadores de opinião e editores de conteúdo pudessem testar sem problemas. Claro que a fila do Dark Souls III neste dia já era kilométrica, mas não se podia ter tudo >_>

Mas enfim, vamos a análise do evento, comentando alguns pontos principais desta que foi uma das melhores BGS.

Organização melhor

Este ano diversos aspectos melhoraram no evento. Sem problemas com a impressão do crachá de imprensa, mais horas (em termos) pros jogadores testarem, entradas rápidas dos jogadores, sistema de circulação de ar que funcionou a todo vapor no calor escaldante de São Paulo e a questão dos “10 minutos” para testar cada jogo, dependendo do produto. Claro que para nós, editores de conteúdo, poderia ter “um cadinho mais”, mas se a gente vê que tinha mais gente esperando, e eles não queriam ter tantas filas ou deixar o público cansado, foi uma decisão acertada entre a organização e as produtoras. Pois você também teve de esperar as filas, dependendo do dia.



Outra questão que o organizador e CEO Marcelo Tavares comentou em uma coletiva de imprensa no último dia, é da questão das datas do evento e da mudança de local. Em 2016 o evento será nos dias 01 a 05 de setembro no São Paulo Expo (antigo Centro de Exposições Imigrantes). Eles optaram pela mudança de endereço para dar mais liberdade para as empresas e de oferecer mais opções para as produtoras trazerem os principais lançamentos.

Convidados especiais de alto calibre

Se tem algo que eu fiquei muito impressionado é ver, na abertura do evento, o Phil Spencer, chefão da divisão do Xbox, brincar com o Yoshinori Ono, produtor da série Street Fighter. Pois não existem tantos executivos que conseguem manter o humor e o profissionalismo em situações tão adversas.

BGS 2015 - Yoshinori Ono e Phil Spencer

Pense comigo: Street Fighter V, o melhor jogo do evento (desculpe Bandai, mas curto demais o Dark Souls III, mas tenho de admitir que a Capcom caprichou na nova versão do jogo!) é exclusivo para PC e PS4. A Microsoft certamente gostaria de ver um jogo desse calibre no console, e um executivo mais carrancudo não seria “tão gentleman” e brincar com a camiseta temática do Ono.

Fora que tanto ele quanto o Ono tiraram fotos com o público e jornalistas, eles apresentaram as principais novidades (a conferência com o Ono na estande da Sony foi uma das melhores do evento) e, bem, que em 2016 a BGS consiga trazer eles novamente e ter mais gente famosa da indústria (além dos assessores normais que a gente consegue dar uma palavrinha, mesmo com um inglês bem macarrônico hehehe)

Atrações e Público

As produtoras se esforçaram bem nas atrações do público. Você está de saída do evento num dia qualquer e para na estande da Razer para ver o Megadriver tocando Castlevania num heavy metal maneiro. Você tem um PC que custa mais do que um carro rodando Project CARS na estande da NVIDIA em 12k com 3 Geforces Titan em SLY, tendo 3 telões impressionantes e um simulador. Você tem campeonato de Dota 2, apesar do jogo não receber tanto apoio da Valve no quesito e-sports (diferente da Riot e do League of Legends).

BGS 2015 - Yoshinori Ono na Estande da Sony

Você também vê o Yudi simpatia sorteando PlayStations 4 durante os dias do evento, ou mesmo o produtor Ryo Mito apresentando o Cavaleiros do Zodíaco: Almas dos Soldados com cosplay de cavaleiro de ouro! E ainda tinha os principais dubladores do desenho na estande da Sony, interagindo com o público. Ou mesmo as plataformas de streaming que vieram em peso, como o Youtube Gaming e o Azubu, que recentemente fez uma parceria com o Boa Compra, do UOL.

Outras empresas também fizeram bonito. A Activision tinha sessões de multiplayer de Call of Duty Black Ops III com narração do Julien Xuminator de Lucca (nessa hora joguei mal e todo mundo viu, por conta da minha tela ter sido uma das escolhidas pra passar no telão!), diversas empresas trouxeram Youtubers famosos para conversar com o público (nesses não teve como escapar do exército de fãs que quase te atropelaram quando um deles passou perto de você num dos corredores) e as lojas Saraiva a Americanas fazendo o papel delas, apesar de que a Saraiva tava mais como “loja” do que como estande (diferente da concorrente que teve um pequeno palco com atrações também!)

BGS 2015 - Azubu

Mas também você fica chateado de ver apenas um carro esportivo do Need for Speed e o jogo não rodar em nenhum dia da feira (valeu EA…). Mirror’s Edge: Catalyst? Só o cubículo e um atendente parado para dizer que “o jogo não está disponível por conta de problemas”.

A questão dos “poucos” lançamentos e decisões das produtoras

Em matéria de novidades, aqui entra a parte das produtoras. Algumas conseguiram tirar leite de pedra, mas outras não conseguiram tanto assim. Por exemplo, a Microsoft trouxe muitos jogos, mas para quem é jogador hardcore e tem grana pra comprar os principais lançamentos, a estande deles não tinha tanta coisa para ver.

Halo 5, Rise of The Tomb Raider e o Cuphead foram os destaques. A Microsoft acertou ao trazer 8 estações com o Rise e 24 Xbox One (!!!!) com o Halo 5 no modo Warzone, agilizando a fila e não demorando tanto tempo pro jogador. Mas para jogos que sairiam poucas semanas depois, eles bem que poderiam deixar os jogos em estandes “à céu aberto”, com os jogadores da fila podendo acompanhar e ver alguma coisa. Tanto Rise quanto o Halo estavam em cubículos fechados.

BGS 2015 - Cuphead

Só que a estande deles tinha mais jogos disponíveis. Forza 6, Gears of War: Ultimate Edition, PES 2016 (que esteve também na estande da Sony)…claro que, conversando com outros jornalistas, tem a questão de que o jogador que visita a BGS quer testar alguns jogos para saber onde investir a grana neste final de ano, com lançamentos cada vez mais caros por conta da situação econômica atual.

Mas deu a impressão de que, para nós, editores de conteúdo, não tinha tanta coisa nova e interessante do que sairia nas próximas semanas e em 2016. E não apenas da Microsoft. A Sony tinha de novidades o Dark Souls III, Star Wars: Battlefront (o que é estranho, já que o beta aberto estava rolando na semana do evento), Assassin’s Creed: Syndicate, Street Fighter V e o Guitar Hero: Live, praticamente escondido num local da estande da Sony. Os outros jogos praticamente já tinham no console ou estavam prestes a lançar, como o Uncharted: Nathan Drake Collection, Metal Gear Solid V: The Phantom Pain e PES 2016.

Sony, Microsoft e o apoio aos indies

Em um setor ainda meio escondido, estavam os indies, em diversas estandes e com mais peso do que os anos anteriores. Não consegui jogar muitos jogos, mas deu pra perceber que tanto a Sony quanto a Microsoft estão apoiando a indústria nacional, com jogos que serão lançados nas 2 principais plataformas de consoles. O destaque maior, claro, ficou pro Horizon Chase, da Aquiris, com sua “temática Top Gear” (do jogo clássico da era NES/SNES) e que será lançado para o PlayStation 4.

Outro jogo que surpreendeu foi o “Da Wolves”, um jogo de navinha com temática do Katamari, tendo de coletar peças destruídas das naves inimigas e usar esse poder de fogo extra como munição, causando mais destruição e depois vendo a nave voltar ao tamanho normal quando as peças tiveram utilidade, repetindo o ciclo. O jogo estava com protótipo e eles querem lançar o game para PC futuramente.

Conclusões

Este ano a Brasil Game Show melhorou diversos aspectos, mas o evento, que antes estava mais para business do que pro público, este ano foi mais voltada para o público, o que deve ser foco deles e das produtoras nos próximos anos. Tipo uma “festa” com os games ao fundo, e em 2016 eles terão mais desafios, como ter o evento em um local mais complicado (na Zona Sul) e a própria data, que ficará, de certa forma, mais distante do Dia das Crianças, uma data importante para o varejo.

Curti o evento esse ano, mas espero que em 2016 as produtoras possam trazer mais novidades e mais estações para os jogos. Enquanto que tem produtoras que conseguiram trazer uma boa quantidade de máquinas (como a Microsoft, Activision, Ubisoft com o Rainbow Six: Siege e a Capcom com o Street Fighter V) ainda tem jogos que muitos jogadores se interessam, mas que não tinham tantas máquinas para diminuir as filas, como o Dark Souls III e o Assassin’s Creed: Syndicate.

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