Call of Duty Black Ops II

A série Call of Duty divide opiniões. Muitos não ligam e compram todo ano mais por causa do multiplayer, outros já acham que a série está em saturação e que não consegue mais entregar experiências legais de gameplay, tendo o foco maior no multiplayer. A série ganhou uma popularidade tremenda com o Call of Duty 4: Modern Warfare, trazendo um multiplayer impressionante e uma campanha ainda melhor, trazendo momentos intensos, muita ação e um estilo interessante de mostrar o enredo. Depois, a Activision conseguiu transformar a série em uma série anual, usando diversos estúdios que ficam se revezando, criando um game a cada 2 anos, e cada ano sendo entregue games com temáticas ligeiramente diferentes. Do lado da Infinity Ward, tem a série Modern Warfare, mais querida pelos jogadores, por ser ambientado na era moderna, tendo momentos impressionantes e personagens carismáticos. Do outro lado, a Treyarch, com o World At War e a série Black Ops, com o Call of Duty: Black Ops e tendo lançado recentemente o Call of Duty – Black Ops II.

Black Ops II traz novamente uma premissa diferente da série: ambientação futurista e fases no século 20, alternando fases em 2025 e fases nos anos 80, durante a Guerra Fria e contando mais dos acontecimentos de alguns personagens, além de mostrar mais da história do principal vilão do game. De certa forma, eu não curti tanto a progressão da campanha “single-player”. Já o multiplayer, mesmo sendo competente e muito bem feito, acaba sendo mais do mesmo, o que não é necessariamente ruim, mas não tem tantos incentivos para jogar horas e horas nele, pelo menos quando a pessoa tem mais games na fila para jogar.



Ficha Técnica
Produção Activision
Desenvolvimento Treyarch
Lançamento 13/11/2012
Plataformas Playstation 3, Xbox 360, PC, Wii-U
Classificação Mature 17+ (ESRB), 18 anos (Brasil)
Música/Compositores Jack Wall, Trent Reznor
Descrição Ambientado em 2025, traz fases no futuro e fases ambientadas na década de 80, para achar um perigoso terrorista que quer incentivar uma nova guerra entre as potências militares.
Online Sim

Call of Duty Black Ops II

Futuro legal, passado mediano

A progressão no game tem altos e baixos em sua progressão na campanha principal. O enredo começa em 2025, mostrando a guerra fria entre Estados Unidos e China. David Mason, filho de Alex Mason, visita Frank Woods em um asilo, que começa a dar mais detalhes de campanhas anteriores para que eles tenham uma visão geral de Raul Menendez, principal vilão do jogo e chefe de uma organização terrorista (Cordis Die), que quer criar uma nova guerra entre as grandes potências. No enredo é mostrado mais das motivações do vilão, alternando as missões nas épocas, tanto na década de 80 em selvas e outras locações, e em 2025, nas cidades e com armamento futurista.

Call of Duty: Black Ops II

Tem diversos estilos, desde as missões clássicas com muita ação e vivenciando “uma guerra próxima ao jogador” até mesmo missões com furtividade e fases montadas em cavalo. Curti mais as fases no futuro, com os armamentos futuristas que ainda tem os pés no chão, desde os famosos Vants (Veículos Aéreos Não Tripulados) até mesmo mira de raio X. Em cada início de missão o game dá ao jogador a chance de customizar o equipamento inicial, mas sem sempre tinha equipamentos legais para justificar uma incursão com uma arma diferente das que seriam usadas normalmente.

Já as fases do passado cumprem o seu papel, mas não tiveram tanto capricho nelas, com gráficos não tão trabalhados e acontecimentos sem grandes impactos, tendo um destaque maior nas fases do futuro e em diversas ambientações, desde fases com chuva intensa, descida com paraquedas e planadores tecnológicos até mesmo uma fase em um resort de férias bem “dahora”. Acho que a série Modern Warfare (especialmente o segundo game) foi tão impactante que a gente sempre espera uma campanha melhor nos games seguintes, mas nem sempre as expectativas se cumprem. Pelo menos em matéria de explicar o enredo a Treyarch vai para um caminho diferente da série Modern Warfare e, de certa forma, mais interessante, mostrando trechos de documentos, vídeos com paleta de cores de época e as narrações do Woods, mostrando cenas usando a engine do game.

Call of Duty Black Ops II

Outro detalhe é que a fase mostrada na E3 foi tão impressionante (para mim) que eu estava esperando ela chegar para ter uma progressão mais interessante e quem sabe mostrar mais fases futurista. Também esperava que ela fosse uma das primeiras missões, mas eu percebi depois que ela foi uma das últimas fases do jogo. O game simplesmente acaba “do nada”, apesar de ter uma campanha com o mesmo tamanho dos jogos anteriores. Eu terminei o game em umas 8 a 10 horas, em média, e gostaria de ter visto mais fases futuristas. Outra novidade é que o game tem momentos de “escolha” do jogador, que ele terá de fazer e que altera certos elementos do enredo, ajudando a “montar” um dos 4 finais possíveis do jogo. o que aumenta o tempo de vida útil.

Dublagem brasileira – Altos e Baixos

Aqui no Brasil, Black Ops II vem com localização completa em português do Brasil, e logo de início, na cena inicial, você reconhece a voz do Isaac Bardavid, que faz o Wolverine dos X-Men, e você já fica animado com a dublagem, pois não é sempre que tem dubladores nacionais nos games que estão sendo lançados com este recurso aqui no Brasil. Durante a progressão o personagem Harver, que acompanha você pela aventura na época futurista, é dublado pelo Carlos Seidl, que fez o “Seu Madruga” do Chaves. No geral a dublagem está muito boa, e foi uma decisão interessante da Activision para angariar mais público e facilitar para quem não tem proficiência no inglês.

Call of Duty Black Ops II

O problema é que eu percebi que o vilão principal tem 2 dubladores. Sei que o game mostra diversas épocas do vilão, com ele mais novo e com ele em 2025, com uma idade mais avançada, e aí tudo bem ter 2 dubladores por conta da idade e do envelhecimento. Só que eu percebi 2 vozes bem diferentes na mesma época temporal, em 2025. E isso era intensificado pela escolha do Isaac e sua voz icônica. Muitas fases “alternavam” a dublagem do Menendez, me confundindo um pouco e me perguntando se era o mesmo personagem que eu estava escutando. Em um momento do jogo temos 2 fases ambientadas na mesma época temporal (2025) e claramente vi a diferença entre a dublagem. Depois, ao ler esta matéria do PlayTV, entendi que os dubladores trabalharam praticamente no escuro, sem referências de gameplay e sem ver a ação rolando, talvez para não deixar vazar certos detalhes. A intenção da Activision é boa e eles querem ter mais participação no mercado nacional, mas bem que poderia ter mais cuidado com esse detalhe.

O Senhor da Guerra Frustrante

A maior “inovação” para a série se tornou um momento de muita frustração. As fase de “Força de Ataque” são opcionais e trazem uma jogabilidade diferente da jogabilidade clássica. Aqui temos 4 fases com objetivos diversos, com o jogador controlando Forças de Ataque (tropas de soldados) com a visão de cima, similar a games de estratégia/RTS, posicionando os soldados e dando ordens para eles e para os “aliados robóticos” que estão disponíveis (vants e os veículos rastejantes com metralhadoras). Também é possível alternar para a visão clássica em primeira pessoa, controlando um dos soldados.

Call of Duty Black Ops II

Inicialmente o game tem um tutorial básico, mas como muitos jogadores sempre tem pressa e não curtem muito os “tutoriais forçados” eu não consegui assimilar muito bem a jogabilidade. Aí começou a primeira fase real, tendo de defender 3 locais específicos dos ataques inimigos antes que eles acessem um “núcleo central” para explodir a base que você terá de defender. A fase já começa com uma contagem regressiva de 8 minutos, com os primeiros 40 segundos tendo de dar ordens de posicionamento para as suas tropas, e depois os inimigos começam a invadir de diversas localidades, para destruir os pontos-chave primeiro.

O primeiro problema é que a contagem regressiva cria um senso de urgência no jogador dependendo da situação, fora a sensação de estar perdido e sem saber direito o que fazer e como jogar, por conta da zona que se instaura nos pontos-alvo dos inimigos e tendo de pensar rapidamente para triunfar (o que foi um pouco difícil pra mim). Beleza, fui jogando na missão e tentando aprender na marra os detalhes da jogabilidade, mas acabei falhando miseravelmente. Decidi tentar novamente, e antes de recomeçar a missão o game avisava que eu usaria “outra” Força de Ataque, e novamente eu falhei, faltando 1 minuto e meio para conseguir triunfar. A sensação de derrota e frustração veio com força.

Então o game perguntou novamente se eu queria tentar de novo, e optei por ver se seria possível continuar a progressão normal e deixar pra lá essas fases malucas. Vendo que eu poderia continuar eu decidi seguir nas fases normais, até perceber depois que a quantidade das Forças de Ataque é única para toda a progressão. Ou seja: perdeu, perdeu, não tem volta, não tem choro.

Call of Duty Black Ops II

Então optei por ignorar essas fases e continuar na progressão normal, até chegar “no limiar”, uma missão específica que seria a “última” antes de tirar a disponibilidade das fases extras. Decidi tentar novamente, mas com outras fases que foram aparecendo depois, que também adicionaram mais unidades das Forças de Ataque. Desta vez tudo correu às mil maravilhas, começando a vencer uma atrás da outra, inclusive a primeira. Só que eu não consegui vencer todas, e faltou uma fase antes de acabar todas as Forças de Ataque. Tudo bem que na realidade um exército não tem tantas “chances”, mas estamos falando de um jogo, de diversão descompromissada, e não vi isso nesse modo de jogo. Em diversos games sempre aparecem aquelas fases mais indigestas, mas esse modo de jogo inteirinho é complicado. Nem liguei tanto em falhar, e não sei dizer se ao vencer ou perder teria alguma influência direta na progressão do single-player, e não percebi isso no final das contas. Acabei desanimando um pouco.

Multiplayer continua excelente

Agora, não dá pra negar que em matéria de performance e qualidade o multiplayer continua sendo muito bem desenvolvido. Numa partida qualquer eu vi no lobby um amigo online, e entrei no esquadrão dele e sai jogando no mesmo time, sem aparecer telas de carregamento, tudo bem transparente ao jogador, o que me deixou bem impressionado. Em Black Ops II achar uma sala e sair jogando rapidamente é fácil, simples e indolor. Nos diversos modos de jogo que testei tudo rodou lindamente bem, exceto nas horas que “migrava de servidor”, o que acabava sendo um pouco frustrante. Mas nada que comprometesse a experiência online como um todo, sendo um multiplayer bem sólido.

Call of Duty Black Ops II

Desta vez o jogo introduziu troféus para certas ações, o que acaba sendo um incentivador maior para tentar chegar a Prestigie, aumentando o tempo de vida útil do jogo. Eles também deixaram as coisas mais equilibradas, tendo “limite” de adições nos equipamentos que o jogador pode usar. Quer ter uma arma com silenciador e mira melhor? Beleza, mas você não poderá usar todos os espaços e perks por ter atingido o “limite máximo” do que o personagem pode usar. Alguns equipamentos também são atrelados à arma e tem “níveis de evolução”, e apenas depois que o jogador pode comprar a adição e inserir na arma. E pelo que eu percebi isso só funciona nas classes criadas pelo jogador, também incentivando a criar as classes e fazer customizações dos equipamentos.

Só que acaba sendo a mesma experiência dos games anteriores, e não em senti muito compelido a gastar muitas horas neste modo de jogo, tanto pelo game ser alugado quanto pela quantidade enorme de jogos que “ainda estão na fila”. Quem gosta da série terá muitas horas de diversão, mas acaba sendo tudo a mesma coisa, os mesmos modos de jogo, sem muitas alterações.

Zumbis – Uma experiência decepcionante

Já o modo zumbi foi uma das experiências mais decepcionantes que eu já tive nos videogames, o que aumenta o meu ódio recente quanto ao gênero. Sei que muitos gostam deste modo de jogo e em outras análises o pessoal fala que o modo de jogo está mais robusto, mas em 2 partidas eu não fiquei convencido a comprar a ideia. Numa das fases, que começa dentro de uma salinha e com co-op com 4 jogadores, o jogador e seus amigos podem começar a matar os zumbis que vão tentar entrar no local, e a munição acaba ficando bem escassa, obrigando a tentar estratégias de corpo-a-corpo (melee) para matar os mortos-vivos. Algumas vezes a munição recarregava e pelo que eu percebi depois também poderia comprar armas, mas não prestei atenção nesse detalhe. Nessa hora o modo também dá pontos por restaurar as “barricadas” diversas na localidade (tipo as madeiras nas janelas para impedirem os zumbis de entrar) e depois a ação foi lá pra fora, com a galera entrando no ônibus e o mesmo saiu andando, me deixando para trás. Tentei correr atrás dele, até sucumbir perante os zumbis presentes. Depois eu “meio que avancei” na progressão e voltei para perto dos outros, já com o busão parado em outro local e a galera matando mais zumbis.

Call of Duty Black Ops II

Desta vez eu fiquei mais esperto e quando vi a galera correr dentro do busão eu fui junto e ele começou a andar novamente. Os zumbis continuaram aparecendo aos montes e fomos matando eles, comigo tendo ainda poucas balas que tinha, mas já não estava gostando tanto da experiência e queria logo que acabasse. Acabei desanimando e desistindo.

Já na outra fase, ambientada em um cruzamento de 2 ruas na cidade, tinham 2 grupos com 4 jogadores e ocasionalmente apareciam zumbis diversos, e pelo que eu entendi depois a gente tinha de se matar para terminar a partida. Até a gente entender isso o pessoal matava os zumbis, e perdi a conta de todas as vezes que eu ficava à beira da morte por conta dos zumbis que apareciam, fora que algumas vezes eu tentava matar as pessoas do outro grupo e elas não “estavam nem aí” também não percebendo direito a mecânica. Algumas vezes eu partia pra cima de um zumbi igual um kamikaze pra tentar matar “na faquinha”, mas nem sempre funcionava, e aí o pessoal começou a se matar e acabar a fase.

Definitivamente esse estilo não é pra mim. Quem curte séries de TV como Walking Dead pode acabar curtindo a matança realista e desenfreada, mas quem não curte é um modo de jogo que só é obrigatório para quem for tentar platinar o jogo.

Concluindo

Call of Duty: Black Ops II chegou com altíssimas expectativas mas acabou sendo um pouco decepcionante para mim por conta dos elementos de força de ataque e o modo zumbi, que acaba servindo mais para um nicho específico de jogadores. A progressão single-player alterna e as fases futuristas acabaram ficando mais legais, com o passado não tendo fases muito interessantes. Por ser uma série que ainda é focada no multiplayer, nesse o single-player não teve tanto impacto quanto os jogos anteriores, e games anteriores da série como o Call of Duty 4: Modern Warfare, o Modern Warfare 2 e o primeiro Black Ops trouxeram um nível de progressão difícil de ser superado pelos games da série, o que acabou deixando a gente mais exigente. A Treyarch tentou trazer inovações, mas elas não foram muito bem executadas. Para os fãs da série é um game praticamente obrigatório por conta do multiplayer, e a campanha pelo menos cumpre o seu papel, apesar do enredo ser um pouco confuso.

Black Ops II







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