Se eu fosse fazer uma faculdade no ano que vem, ficaria dividido entre design de games e jornalismo. E se eu fizesse design de games, acho que a área mais provável que iria fazer é modelagem 3D. Sempre gostei do assunto, a ponto de organizar, alguns anos atrás a UniDev, um grupo de estudos no Blender. Desde o começo da minha vida na internet (quando estava na faculdade acessando a web em fóruns de discussão) eu sempre olhava o Blender como “primeira alternativa” a modelador 3D. Antes eu pensei em mexer com o Turbo Squid, uma versão “gratuita” do 3DStudio Max, mas nunca levei os estudos pra frente por que ele não renderizada uma imagem fixa. Eu queria poder renderizar os modelos (um cubo. UM CUBO) e mostrar pro mundo, mas isso só foi possível com o Blender e com versões piratas do 3D Studio Max e o Maya. E entre eu ficar com medo da fiscalização bater na minha porta e usar uma ferramenta gratuita para, no futuro, ganhar dinheiro com ela, optei pelo Blender (onde fiz, alguns meses depois, um restaurante simples usando texturização e rendering). Fui contra a imensa massa de modeladores dos fóruns nacionais, que ainda devem achar o Max e o Maya a última bolacha do pacote, esquecendo que são poucos que tem coragem de pagar 6 mil reais num software de modelagem. E sempre com a mesma desculpa: “que o Max é o software mais usado na indústria e que o artista iniciante deveria usar ele”, se esquecendo de que existe alternativas com a mesma qualidade e de graça.

O Blender é totalmente gratuito, mas sempre aparecem as mesmas frases pra justificar o não-uso do modelador: que o Blender é dificílimo de usar, que a sua interface não é intuitiva, que o software não tem os mesmos recursos que os grandes softwares possuem, etc etc etc. Confesso que não acompanho mais a ferramenta e suas novidades, optando por me focar novamente no que faço de melhor, que é a programação (tendo 5 anos de experiência!), mas depois que fiquei sabendo do Sintel e de ter assistido, sério, fiquei com vontade de estudar novamente. Vejam, de preferência em HD, a melhor animação feita com o melhor modelador open-source do mercado:



O Sintel é mais um open-movie, onde os criadores colocaram, sob licença Creative Commons, todos os modelos e recursos para que os modeladores e artistas podem usar. Mas vamos falar um pouco do filme: são 14 minutos soberbos, que mostram que é o artista que faz a ferramenta. Tudo bem que alguns ferramentas são mais limitadas, mas o Blender tem o mesmo poder que softwares caríssimos que só empresas de publicidade e artistas abastados possuem de maneira legal. Para a ferramenta é bom, já que muitos dos recursos usados vão estar no software (e devem ter outros que já estão). Quanto ao enredo, eu não gostei do final, mas é gosto pessoal. Quanto às possibilidades, é algo que o Giancarlo Zero estava comentando no Twitter: fazer longa-metragem ambientado neste mundo pode ser bem legal, mas os custos podem ficar bem mais altos. Também lembra bastante o Fable 3, por causa da cidade enorme e épica.

O filme está disponível para download no site oficial e lá tem as legendas em diversos idiomas, incluindo o português. O melhor software para você rodar é o VLC, também gratuito e que roda um zilhão de formatos. Para uma galeria de imagens (com wips e artworks) clique aqui.

Por fim, alguns podem se perguntar o que diabos um post de uma animação está fazendo por aqui (tenho de prever os chatos de plantão). O Blender foi um dos assuntos que mais gostava de comentar no GamedevBR e como agora também englobamos assuntos do GamedevBR, posts sobre a ferramenta podem aparecer com mais frequência. O Sintel virou a melhor vitrine para o Blender, que ainda é visto com muito ceticismo pela comunidade, e o software pode ser usado para desenvolvimento de jogos, tanto como modelagem quanto pra fazer games completos, com a sua engine interna. Eu não usaria a engine, preferindo usar uma engine 3D de alguma linguagem de programação, como o C#, C++ ou Java (a mais provável), mas pra quem pensa em usar apenas 1 programa, o Blender é uma excelente escolha. Pelo menos o artista iniciante não precisará se preocupar em estar usando um software pirata, já que ainda está fora da realidade a maioria sair comprando o 3D Studio Max do mesmo jeito que se compra um simples game de Playstation 3/Xbox 360.

[Imagem de topo via Meiobit e infos via Blender Total]







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