Final Fantasy XIV Beta Fate Event


Final Fantasy XIV A Realm Reborn CG Screen

Durante o mês de julho e em um final de semana em agosto eu testei o beta do MMO Final Fantasy XIV, quando teve um beta fechado na versão para PS3 e PC, e um open-beta recente também nas duas plataformas. Inicialmente joguei no PS3, e posteriormente eu testei no PC, por ter trocado de PC nas últimas semanas. Com o lançamento do jogo para hoje, fiquei pensando se ainda compensaria fazer algumas impressões do jogo por aqui, por ter prováveis diferenças entre o beta e a versão final. Mas acredito que não haverá mudanças significativas, mesmo eu não ter conseguido testar, na época, o sistema de jobs (profissões), a parte de “crafting” e dungeons mais avançadas.

Inicialmente, por ter jogado no PS3, eu achei o jogo muito bem vindo ao console. Desde os primórdios, o PS3 não é um console ideal para jogos online, por conta das limitações de memória RAM do aparelho, e por ser, claramente, um console. Jogo online sempre reinou no PC, e a jogabilidade era voltada bastante para o uso do teclado e mouse, mas também pode ser que muitos jogos similares beberam das fontes mais conhecidas, como o Everquest, Ultima Online e o ainda conhecidíssimo World of Warcraft. Admito que o MMO da Blizzard pode estar velho, mas ainda hoje eu considero como uma referência importante, por ainda sobreviver com um número bem elevado de jogadores, por mais que a base de assinantes esteja caindo. Farei algumas comparações com o jogo neste post e, porquê não, comparações com o estupendo Guild Wars 2, que adquiri nos últimos dias. Antes de ter jogado o Guild Wars 2, acreditava que um dos sistemas mais maneiros do jogo era relativamente inovador, mas acabou bebendo da fonte do Guild Wars 2 (que pode ter tido influências de outros jogos).



Final Fantasy XIV A Realm Reborn

A primeira diferença brutal entre o Final Fantasy XIV e o World of Warcraft é mais no sistema de progressão da estória principal. Aqui entra a parte clássica de qualquer RPG normal/offline: após a criação do personagem e definição da raça, sexo e classe, você assiste a cena inicial comentando da história de Eorzea e depois você se vê em um local similar ao espaço, numa outra dimensão. Seu personagem vê uma espécie de Black Mage mascarado e nesse meio tempo o seu personagem ganha uma roupa mais elaborada e de acordo com a classe escolhida, ao mesmo tempo que o Black Mage ataca o seu personagem. Antes da conclusão do embate, o personagem “acorda” e se vê em um veículo qualquer, dependendo da classe escolhida pelo jogador, com um NPC engatando uma conversa com você, também perguntando qual é o objetivo do jogador ao chegar no seu destino, como ter glória, poder ou não responder nada.

Depois do blablabla característico (que não era possível pular no beta, o que acaba sendo meio maçante caso o jogador queira testar diversas classes e raças), você já entra em uma das 3 principais cidades do jogo: New Gridania (com uma floresta ao redor), Ul’dah (perto do deserto) e Limsa Lominsa, com planícies ao redor. Por ter feito mais testes com a classe Archer (arqueiro/Ranger) o jogador acaba indo pra New Gridania, e já era possível fazer as primeiras quests do jogo.

Final Fantasy XIV A Realm Reborn City

A partir desse momento o jogo ganhou um pouco de contornos de MMOs clássicos: vá para um determinado local, converse com outra pessoa, entregue aquela correspondência, vá no mapa e pegue itens com alguns dos animais presentes no local, mate quantidade x de monstros. Quests bastante lineares, que já explicam os conceitos básicos do jogo, enquanto que o jogo mostra ao jogador os conceitos de jogabilidade, dependendo da classe e da versão. Após eu ter ido no mapa, por ter jogado no PS3, eu estranhei um pouco o uso do Dual Shock, e vi que eles se esforçaram para converter a jogabilidade do PC no controle: pelo personagem ganhar diversas habilidades que serão setadas em uma “hotbar” na parte de baixo, aqui eles tiveram de bolar um esquema usando os botões R2 e L2 para alternar os movimentos do personagem e poder usar os golpes com os botões do direcional digital e os botões normais do controle. Algumas horas acabava cansando apertar continuamente um dos botões de “gatilho” e usar os outros movimentos, mas nada que comprometesse a experiência e a diversão.

Depois que o jogador ia pra mapa, dependendo da exploração nas partes iniciais, ele poderia se deparar com um FATE. Está aqui um dos recursos mais legais que já vi num MMO, e que, acredito, tenha tido influências do Guild Wars 2: os FATEs (Full Active Time Event) são eventos no mapa onde o jogador entra na área específica e já entra no evento, automaticamente. Normalmente aparece algum “boss” mais poderoso ou um grupo específico de inimigos, e quem estiver na área poderá ajudar os outros jogadores a enfrentar esses monstros, como se fosse uma raide montada na hora, e com qualquer quantidade de jogadores. Cada jogador acaba ajudando a completar o evento, e todos ganhar com isso, adquirindo níveis de experiência e gil para gastar. Outro detalhe é que, se o jogador tiver um nível de experiência muito maior, o jogo sinaliza que é necessário ter uma sincronização de nível, para jogar de igual pra igual com os outros jogadores da área (pois seria fácil personagens de alto nível chegar lá e matar um chefe com poucos golpes). As recompensas de cada FATE acabam não sendo muito interessantes em níveis avançados, mas é sempre legal ver uma galera se ajudando no mapa para enfrentar aquela Curupira/planta parecida com um “Ochu” que apareceu no mapa naquela hora (sendo que os FATEs são relativamente aleatórios).

Final Fantasy XIV Beta Fate Event

Mas qual a comparação com o Guild Wars 2, afinal de contas? o Guild Wars 2 tem esse sistema para todas as quests normais do jogo (tirando as principais de enredo). Por exemplo: se o jogador estiver perto de uma plantação/pequena horta e aparece um grupo de bandidos, aparece no mapa uma área circular e todos que estiverem nas proximidades saberão do evento e poderão ajudar, matando bandidos, recolhendo coelhos que estejam destruindo melancias em outra horta para ajudar o produtor rural, ou mesmo enfrentar um inimigo mais poderoso. Não sei dizer se esse sistema tinha em outros MMOs mais antigos, mas é sempre interessante ver que os jogos estão provendo sistemas de colaboração pro jogador que esteja a esmo pelo mapa apenas farmando/passeando, dando a opção de escolha do jogador. No Final Fantasy XIV até que tem isso implementado, mas acho que a Square-Enix só fez isso pros Fates, e talvez para os world bosses mais parrudos que podem invariavelmente aparecer no jogo em níveis mais avançados.

Durante a terceira fase do beta (que ocorria em sua maioria nos finais de semana) eu consegui avançar relativamente bem nos níveis e durante a terceira fase eles do beta liberaram o “Duty Finder”, um sistema similar ao Dungeon Finder do World of Warcraft. Esse sistema veio bem a calhar para quem não teria como ir numa entrada de uma dungeon para fazer elas, e antigamente não tinha tantas opções de outras quests, se limitando mais as Levequests (quests de mapa que o jogador pode startar para completar, e outros jogadores que estejam na área e que não startarem a quest não podem ajudar) e tendo outros tipos de quests que não foram habilitadas no beta (como quests de “coleta”/crafting, pegando ítens no mapa).

Com o Duty Finder, inicialmente é liberado o primeiro “desafio”, que é uma área parecida com uma dungeon, tendo 4 jogadores, em uma partida relativamente rápida. Aqui já entra a famosa “tríade” dos MMOs: tanque (que serve para aguentar o máximo de dano e atrair os oponentes para si), healer/curador e 2 DPS, que servem para causar o máximo de dano possível. Completando os desafios, outros eram habilitados, o que é um belo incentivo para ganhar bastante experiência.

Final Fantasy XIV A Realm Reborn Duty Finder

Só que apenas na primeira tentativa bem-sucedida que o jogador ganhava bastante experiência.Após isso, a experiência de prêmio diminuía bastante, o que desencoraja o jogador a querer fazer a mesma partida seguidamente. Claramente a Square-Enix incentiva o jogador a fazer as quests normais do jogo e outras atividades, diferente do World of Warcraft, para ir evoluindo e vendo a estória principal do jogo. Quando joguei bastante o MMO da Blizzard em 2012, depois que eu comecei a ir no Dungeon Finder, eu tinha aquele ímpeto de refazer as dungeons seguidamente atrás de equipamentos melhores, enquanto eu avançava os níveis de experiência. Nessa hora eu praticamente esquecia as quests normais do jogo, e ficou nesse esquema por muito tempo, o que nem sempre é o ideal para acompanhar a “progressão de enredo” do personagem. No Final Fantasy XIV a situação é completamente diferente: as quests do mapa e as “main quests” (quests principais, sendo feitas de maneira linear) são mais incentivos para adquirir equipamentos e experiência, fora que apenas as viagens para as outras cidades são liberadas após terminar determinados eventos do enredo.

Outra maneira bem interessante de evoluir o personagem é fazer “chains”: enfrentar inimigos do mesmo nível ou superior, o que gera um desafio extra: como os inimigos comuns do mapa são poderosos, muitas vezes eu ficava em maus lençóis ao enfrentar um inimigo e outros inimigos similares apareciam na área, podendo ocasionar um game over e voltar para uma localidade mais próxima.

Também tem o Hunting Log, que encoraja o jogador a enfrentar seguidamente os inimigos que estejam presentes no mapa, para ir completando uma “quest de caça”, também ganhando experiência extra. Eu me vi voltando determinadas áreas para completar o “log” e poder ver quais seriam os próximos inimigos dos outros níveis da lista (normalmente com inimigos da mesma área, e quase sempre próximos aos níveis do jogador).

Final Fantasy XIV A Realm Reborn Hunting Log

Depois de ter feito diversos desafios e ter evoluído bastante, (e acredito que após determinados eventos do enredo principal) o jogo libera as “Instances”, que são as verdadeiras dungeons do jogo. Com tempo de duração máximo de 90 minutos (mas que leva uns 30 pra completar, dependendo do grupo e do desempenho de cada um) são dungeons relativamente lineares, e com lutas mais elaboradas. Aqui também caem ítens e equipamentos melhores (de cor roxa) que os jogadores podem disputar na “roleta do loot” para tentar adquirir. Na primeira tentativa eu até disputei um arqueiro para a minha personagem e tive sorte, mas acabei perdendo um “tabardo/roupa” principal na luta contra o chefão da dungeon. Claro que aqui entra o mesmo “ímpeto” do World of Warcraft, ao fazer a instâcia outra vez para tentar arrumar outro equipamento melhor. Então entra outro elemento de “desencorajamento” para quem queria ficar apenas fazendo as mesmas dungeons: os melhores ítens são “únicos”, o que sugere que o jogador não poderá ganhar outro igual, podendo ter apenas 1 só no inventário. Não cheguei a pensar em vender o ítem e verificar se seria possível “reganhar o ítem”, mas sei que uma hora essa dungeon não será tão interessante de participar.

Ah, até mesmo nelas existe a sincronização automática de nível: por mais que o jogador esteja bem evoluído, ao participar da dungeon ele terá um nível menor e não poderá usar movimentos mais poderosos, dependendo do nível do jogador.

E por falar em movimentos poderosos, outro elemento clássico da série, mas que foi relativamente mal explicado no game, são os Limit Breaks: os golpes mais potentes do personagem. Na primeira vez que visitei a dungeon teve uma hora que o “tanque” falou pra gente “soltar o limit”, e tanto eu quanto o outro DPS não sabíamos como fazer, até entender de pois que a gente deveria definir o limit na barra de golpes. Em outra ocasião eu acabei usando o Limit numa luta de nível médio e e ganhei uma reclamação do tanque, pra não gastar o limit. Depois a barra encheu novamente e não decidi mais usar ela, deixando a decisão pro outro DPS. Só que ao usar o Limit Break eu não percebia nenhuma indicação de que o inimigo tinha tomado algum dano extra ou algo similar, o que me fez questionar a eficácia dos Limits. Não sei se na versão final teremos alguma mudança nessa mecânica, mas achei ela relativamente inútil.

Final Fantasy XIV A Realm Reborn Duty Challenge

Sobre o PvP, no beta é difícil saber se isso estava habilitado, pois não via nenhuma opção quanto a isso ou mesmo um sistema de facções, tendo apenas guildas de profissões dentro da lore do mundo. Mas ao entrar em determinados locais já mostrava que o jogador estava em um “santuário” (local onde o PvP é proibido), e que indica que teremos partidas PvP entre os jogadores. Só não sei como que isso será implementado, se teremos divisão de facções, arenas, etc.

Já na parte gráfica, acredite, a Square tirou leite de pedra no PS3. Não sei dizer se na versão final teremos problemas adversos, mas no beta, com uma quantidade enorme de gente na tela, o jogo rodou lisinho, sem lags aparentes, e com gráficos acima da média. Tirando um ou outro bug que teve na terceira fase do beta (que até comentei anteriormente em posts de final de semana) achei a versão bem satisfatória. Claro que eu queria que no PS3 tivesse alguns recursos que tem no PC, como tirar screenshots e gravar no HD, mas não se pode ter tudo. O game também foi compatível com um teclado (que possibilitou tirar fotos sem a interface gráfica, usando o Scroll Lock). Já na quarta fase do beta, por conta de problemas de download e de redeem code, eu acabei testando a versão para PC e não vi diferença aparente nos gráficos do jogo, apenas tendo uma jogabilidade mais fácil. Acredito que a Square-Enix tenha limitado a parte gráfica do game no PC pra não ter uma diferença muito elevada, e olha que eu joguei com uma configuração bem alta de gráficos. O game acaba sendo relativamente leve de rodar, o que ajuda os jogadores sem PS3 e sem PCs parrudos poderão usufruir, e para a produtora quanto mais jogadores, melhor.

Final Fantasy XIV A Realm Reborn FATE

Por fim, eu curti bastante o Final Fantasy XIV, por ter me acostumado bem com a jogabilidade e com as mecânicas, que acabam sendo bem parecidas com o World of Warcraft. O enredo eu achei relativamente confuso, mas isso se deve mais à minha deficiência no idioma em inglês. O complicado é sempre o preço da mensalidade, que acaba sendo relativamente mais cara que o World of Warcraft para os brasileiros: US$ 12,99 dólares, o que dá uns R$ 30,93, o dobro do preço da mensalidade do MMO da Blizzard. No PC o jogo é mais barato, mas para quem queria um MMO decente no PS3, esse promete se sobressair facilmente. Para quem gosta de troféus também é uma boa pedida pegar essa versão, mas o PC tem sempre a facilidade de não ter problemas aparentes com login (diferente de potenciais travas de usuário com contas diferentes no PS3) e o jogador com um PC potente terá gráficos melhores, apesar de não ter visto muita diferença. Se o game tiver um trial no PS3 de 1 mês (como muitos jogadores dizem que vai ter, mas sempre é bom esperar um anúncio oficial) então provavelmente tentarei testar novamente.

Já para os jogadores de games online, pode não ser uma opção tão interessante por conta de termos outras opções que tem mais potencial e não são tão caras, como o já citado Guild Wars 2 (que não tem sistema de mensalidade), o World of Warcraft (que é mais barato aqui no Brasil) ou mesmo os jogos gratuitos, como Tera Online, Rift e o Star Wars: Old Republic. Ainda assim, o open beta do Final Fantasy XIV teve uma quantidade enorme de pessoas e pode ser que os concorrentes sofram para competir com mais um game no mercado. Apesar da série não estar muito em alta por conta dos jogos da série XIII, aos poucos a Square-Enix está entrando nos eixos, e ela está entregando um game bem mais polido, pois a primeira versão do MMO teve muitas críticas dos jogadores. A Square aprendeu a lição, e será interessante acompanhar as movimentações do mercado de MMOs nas próximas semanas.

Final Fantasy XIV Beta Nielle

Minha personagem na fase do beta no PS3

Final Fantasy XIV

A “mesma” personagem, mas no PC.

Screenshots que eu fui tirando durante a fase 4, no PC:







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