No ano passado, antes de começar a palhaçada do Jailbreak, chegamos a comentar sobre uma brecha de segurança para destravar troféus de um game. O exemplo citado na época foi o Socom, onde o jogador poderia carregar um save de terceiro e ver os troféus pipocando na tela em questão de minutos. O exemplo do Socom é particularmente aterrador já que por vias normais o game está entre os mais difíceis de serem platinados no PS3, dada a quantidade enorme de horas (mais de 80 segundo a galera do PS3Trophies) aliado a um multiplayer pior que games como Killzone 2 e Uncharted 2. Até mesmo 1 troféu já é difícil e levaria bastante tempo para o jogador conseguir destravar de maneira normal.

Então veio toda a história do destravamento do PS3 (que começou a se espalhar no Brasil segundo relatos) e com isso as portas foram abertas para programas homebrew. Particularmente não sou contra a criação de programas melhores para um determinado dispositivo, já que como programador de softwares queria que o PS3 fosse mais aberto para poder pelo menos estudar desenvolvimento de jogos e testar no meu próprio aparelho, mas em certos casos acaba sendo prejudicial para a usabilidade do console. O exemplo mais aterrador (e que acabaria acontecendo mais cedo ou mais tarde) foi relatado esta semana em fóruns de discussão como o Neogaf e Outerspace, seguido por matérias no Meiobit Games e UOL Jogos, sobre um programa capaz de destravar todos os troféus de um determinado game de maneira automatizada. Segundo o Computer and Videogames, alguns jogadores conseguiram destravar todos os troféus do Buzz Quiz TV, mas não conseguiram de games como Batman: Arkham Asylum e Resident Evil 5: Gold Edition.

A primeira questão desse hack é justamente acabar com uma das brincadeiras mais legais do PS3. Sei que muitos não ligam pra troféus, mas ninguém pode negar que o “sistema de conquistas do PS3” aumenta bastante a longevidade dos jogos. Só que existem bons usos dos troféus e o outro lado da moeda (troféus esdrúxulos), e aí a comunidade acaba respeitando o jogador. Ostentar uma (ou duas, né Lengler!) platina em Demon’s Souls indica que o jogador foi até o limite de um determinado jogo e muitos gamers vêem isso como “o cara é muito foda”, e ver esse sistema sendo violado faz com que o sistema acabe marginalizado e muita gente pode ceder a tentação. Então brincadeiras como o ranking de troféus podem ir por água abaixo, já que muitos podem querer inflacionar os próprios troféus de forma fraudulenta, mesmo não ganhando nada com isso.



A Sony inclusive respondeu os sites e está investigando essa brecha. A questão é que com esse hack o sistema pode até estar ameaçado. Se isso acabar, muitos jogos hoje perderão valor de mercado e então não vai valer tanto a pena manter certos games na coleção. Oras, pra quê que vou manter um Demon’s Souls aqui sendo que depois que eu zerar não vai fazer nenhum sentido terminar de novo por conta de outros troféus (que não irão mais existir)? O Uncharted acabou tendo uma vida um pouco mais longa por conta do gamer tentar platinar o game, zerando mais de uma vez e coletando todos os tesouros. Metal Gear Solid 4 é outro jogo controverso: por não ter o sistema a maioria acabou deixando o game na coleção, mas sem pensar em zerar em níveis mais difíceis, por não ter o sistema e por ser o game que mais pedem pra inserir as “conquistas do PS3”.

Uma coisa é certa: os troféus, ganhos de maneira normal, atestam que o gamer conseguiu certo feito e pelo menos hack nenhum vai tirar do jogador a sensação do momento de ganho de cada um deles. Aí novamente vai da índole do jogador: se ele quiser destravar os troféus apenas para se aparecer e dizer que platinou Gran Turismo 5, beleza, mas com certeza isso nunca irá atestar aos seus semelhantes da sua habilidade com o jogo. Se ele continuar ganhando de maneira honesta, pelo menos ele ainda terá tranquilidade mental de que está fazendo a coisa certa. Sei que ainda teremos bons e maus usos dos troféus, tendo games com troféu esdrúxulos, mas aí não é de nossa interferência, cabendo ao jogador se ele quer jogar certo jogo ou não. Eu ainda não tenho na minha listagem games como o Terminator e Hannah Montana, sob risco de ter a minha reputação gamer indo pro beleléu.

Só espero que a Sony consiga ter maneiras de banir esses jogadores e nos próximos firmwares o sistema esteja mais seguro. Mas admito que ela poderia abrir parte da plataforma para que a gente possa criar legalmente aplicações pro console ou mesmo games indie. E pensar que tudo isso começou quando ela apenas “eliminou a possibilidade de instalação do Linux” das opções internas do firmware do PS3.







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