Opinião: Antorus, o AOTC de Argus e o pulo do gato dos “puggers” no World of Warcraft: Legion

Conseguir o AOTC de Antorus, o Trono Ardente, na primeira semana da nova raide do World of Warcraft: Legion é incomum para mim, e que mostra o quão o sistema de Forja Titânica e diversas fontes de equipamentos está quebrado no MMO da Blizzard. E isso só fazendo 4 dos 11 chefes no heróico, depois de ter feito uma progressão irregular (mas completa) na dificuldade normal.

O que ando lendo nos fóruns de discussão é que: a nova raide está mais fácil. Bem mais fácil que a Tumba de Sargeras e do Baluarte da Noite, que tinham mecânicas mais insanas para quem é mais casual. Claro que a dificuldade mítica tudo muda e hoje que começaremos a descobrir como que são as lutas, quando a dificuldade estiver disponível. Mas chega a ser curioso que a galera consegue “se puxar” quando se tem uma montaria de recompensa. Se antes apenas uma conquista não incentivava tanto a tentar algum “pulo do gato” nos pugs, agora com uma ave azulada e estilosa, tudo muda de figura. É a versão “Guardião do Bosque” de Legion, onde o jogador pega a quest logo após matar o Argus no heróico, entregando a conquista pro Haddgar e depois garantindo a montaria. Até aí tudo bem, é um incentivo interessante para avançar no heróico ou mesmo tentar garantir equipamentos nas raides anteriores, algo que muitos cores continuam fazendo. Mas o pulo do gato na expansão é que, com o sistema de pugs cada vez mais popular, muitos estão conseguindo burlar partes do processo, e isso inclui adquirir equipamentos nas masmorras míticas+ e nos pontos de invasão maiores, que garantem um equipamento acima de 930 de ilevel.

World of Warcraft Legion - Asamágis Violeta

Montaria estilosa!

Quando eu estava fazendo a dificuldade normal da raide na semana passada eu sempre dava inspect em outros hunters, tanto pra ver transmogs, quanto pra ver os próprios equipamentos. A quantidade de jogadores com ilevel alto, mas sem ter nenhuma peça de set é impressionante: praticamente boa parte deles simplesmente conseguiu upar por outros meios, teve a vantagem de ter conseguido forja titânica de algum equipamento e foi pra raide assim mesmo tentar a sorte. Só que ilevel alto não é sinônimo de que a pessoa vai conseguir dar muito DPS, e eu sempre ficava de cara quando eu estava entre os melhores DPSs com a hunter, mesmo jogando numa spec desfavorável. Por mais que Domínio das Feras tenha um alto dano em alvo único/single target, quem raida mítico usa a spec que bate mais, que é a Precisão. Só que eu nunca consegui jogar direito com a classe depois das alterações da Blizzard: os procs de vulnerabilidade, rotação, era confuso pra mim, mesmo eu ter tentado assistir vídeos que ensinam rotação e passam dicas. Até cheguei a tentar usar a spec na guilda dos brigões num dos desafios, mas aí depois eu acabei conseguindo fazer com BM, me deixando mais aliviado.

Mas voltemos a Antorus. A Blizzard claramente facilitou as coisas nas mecânicas. No final de semana eu consegui finalizar a raide na dificuldade normal, mas com uma progressão bem irregular. Diferente dos cores que fazem a progressão linear, eu simplesmente fui deixando os chefes mais tensos por último. E para mim, os chefes que mais tive dificuldade foram o Alto Comando Antorano e o Conciliábulo de Shivarra, esta última por conta das mecânicas aleatórias dos titãs que aparecem na luta. São 4 tipos diferentes, e apesar do grupo saber de antemão quais são, a ordem muda a cada confronto, e até no normal o pug que eu estava suou bastante pra conseguir derrubar.

World of Warcraft Legion - O Conciliábulo de Shivarra

World of Warcraft Legion - Derrotando o Conciliábulo de Shivarra

Dizem que elas são as chefes mais difíceis da raide no heróico!

Depois era a vez da dificuldade heróica. Hoje o meu maior problema é que eu não consigo mais assumir compromissos com cores. Eu até tentei entrar em um, mas por conta de compromissos inerentes ao trampo, aliado ao meu desânimo em querer ficar grindando semana após semana, quando eu finalizo uma progressão heróica de uma raide eu simplesmente paro de jogar. Como se fosse o término de um jogo de RPG. Quando eu pego um AOTC eu simplesmente deixo pra lá e parto pra outras coisas no jogo, ou parto pra outros jogos. Não faz sentido para mim ficar “fazendo farm” toda semana, apesar da expansão ter sido basicamente isso com o Poder de Artefato. Grind, grind. grind. Anos atrás, quando o core que eu estava tinha interesse em fazer a Cidadela Fogo do Inferno na dificuldade mítica (na expansão Warlords of Draenor), eu desencanei e saí do core, sendo criticado pelos membros antigos de uma guilda que eu estava: eu não queria ficar 6 meses tentando os mesmos chefes, ou mesmo tendo de fazer mudanças no jeito de jogar (que na época eu jogava de Precisão!). Tinha chegado a ter uma reunião onde os líderes do core comentaram que “ah, você usa a Barragem tantas vezes, tem de usar menos ou partir pra outro talento” eu já tava meio desanimado, e tinha conseguido matar o Arquimonde com pugs. E apesar do mítico ter uma montaria de recompensa, a recompensa é pequena demais para tanto grind. Obviamente muitos pensam diferente, e fazem progressão nas guildas, por conta de prestígio e de ter conseguido se superar na dificuldade máxima do World of Warcraft, tentando o realm first, e admiro a dedicação dessa galera (principalmente no Azralon, onde até comecei a upar uma hunter lá, mas acabei desistindo no meio do processo também).

Com o Legion, a Blizzard introduziu tantas fontes de equipamentos que a própria raide perdeu parte do impacto em adquirir gear, ficando mais focado nos equipamentos de conjunto/tier. Masmorras míticas+, os pontos de invasão maiores, os equipamentos Abdicados que o jogador compra no vendedor e que gera um equipamento 910+. Normalmente a Blizzard faz isso pro jogador conseguir nivelar e ter mais chances de acesso pra conseguir estar na dificuldade normal. O objetivo da produtora nas primeiras dificuldades é de justamente oferecer acessibilidade para quem não tem tempo livre ou tem tempo livre irregular. O pug é um sistema de matchmaking que considero interessantíssimo, mas ao mesmo tempo arriscado, pois você não sabe se o jogador aio seu lado é um exímio jogador e pode não ter um desempenho excepcional, ou estar apenas com equipamentos de ilevel mais baixo. Mas quando um chefe morre boa parte dos jogadores nem liga tanto pra isso, contando que ele foi derrotado, mas como a taxa de wipes é elevada pra muitos chefes, muitos pugs tentam nivelar por cima ou acabam rolando trocas, kickando alguém (o que acaba sendo uma sensação ruim se você foi o alvo da vez, mesmo tendo conseguido jogar bem).

Mas depende bastante da índole do jogador: a maioria pede um AOTC pra ter mais chance de sucesso, mas tem muita gente que quer oferecer a chance dos novos jogadores terem isso também, e isso é bem legal. “Sem drama, entra aqui no pugão, não ligo pra AOTC porquê eu não tenho, mas também quero ter e você está procurando isso também, certo?”. Mas pugs assim são raros hoje em dia, e no que eu estava ontem, tinha apenas o requisito de estar acima de 940, o que já é um bom nivelamento (pois o jogador batalhou pra conseguir chegar nesse ponto do jogo).

No meu caso, eu decidi tentar direto na primeira semana após ter lido diversos relatos que a raide estava mais fácil na dificuldade heróica em comparação com as raides anteriores. Também fiquei sabendo que nos primeiros dias de raide uma das habilidades mais insanas do Argus (o Soulbomb/Bomba Anímica) não estava sendo executada direito na luta, e isso deixou a luta bem mais fácil. Muita gente aproveitou a brecha e já garantiu a montaria, pois era certeza da Blizzard corrigir isso rapidamente, e ela o fez no dia 01/12, junto com a correção de outro bug onde os jogadores não estavam sendo ressuscitados direito, o que acabava sendo um problema. Mas mesmo com a habilidade corrigida a luta não era mais difícil do que o Kil’jaeden heróico. Não tinha nenhum Armagedom pra interceptar ou uma escuridão que faz a raide wipar se não souber fazer (ou mesmo as outras habilidades do KJ na fase final da luta, que diminuem a chance de sucesso). Até que o Argus tem habilidades de “quase hit kill” (como o Cone da Morte e a Bomba Anímica), mas é mais fácil de lidar do que as habilidades do chefe da Tumba de Sargeras.

Com isso eu decidi tentar e consegui vaga num pug do Agramar, o penúltimo chefe. E olha, a luta é insana na dificuldade e tem uma classificação alta na escala de “pug killer”, que é onde boa parte do grupo se desfaz após um wipe nos primeiros segundos de luta. O grupo tem de estar bem montado na escolha das classes, com os jogadores tendo de interceptar alguns elementais de fogo que aparecem em alguns momentos da luta. Se errar a armadilha ou não conseguir interceptar uma delas, um abraço: é wipe na certa. E sobreviver nos momentos chave da luta, quando tem as Chamas de Taesalach (aliado aos healers conseguirem aguentar o dano elevadíssimo nesse momento e conseguirem manter o grupo vivo) é fundamental.

World of Warcraft Legion - Aggramar

World of Warcraft Legion - Enfrentando Aggramar na Dificuldade Normal

Esqueci de printar no heróico, mas não volto nele na dificuldade tão cedo! Ele é o cão chupando manga!

O grupo conseguiu matar ele e fomos pro Argus, e aqui também não havia margem pra erros. Nas primeiras tentativas até que conseguimos progredir bem, mas como chegamos a ter um enrage em uma das trys (12 minutos de luta!) a gente sabia que tinha de conseguir ficar vivo nas primeiras fases, e de usar um Hero logo no começo, e usar outro na fase final logo quando ele estivesse disponível, onde a luta fica bem caótica com aquelas chuvas de dano. Como o grupo era bom, sabíamos que seria a try da kill, pois é assim que funciona uma progressão: saber se adaptar e repetir as mecânicas, lidando com as aleatoriedades clássicas inerentes ao combate.

World of Warcraft Legion - Enfrentando Argus 01

World of Warcraft Legion - Enfrentando Argus 02

Alguns jogadores também usaram as Runas Vantus e não consegui ter tempo pra comprar uma entre uma tentativa e outra, mas por estar bem equipado, e conseguindo um DPS razoável (nada excepcional, mas para um 942 de ilevel, até que pra mim estava OK, por estar acima de 1 milhão de DPS) isso fez a diferença. Estar com o set completo heróico da Tumba também.

Logs da Luta contra o Argus

Os logs da luta, e fiquei em nono. Você pode confere mais detalhes no Warcraftlogs

Conseguir a kill logo na primeira semana é curioso. Praticamente um término da expansão e a recompensa definitiva de semanas de farm da Tumba de Sargeras. O novo set de hunter, pra BM, está recebendo muitas críticas da comunidade, principalmente o de 4 partes, que apenas reduz o cooldown do Aspecto do Indomado. Em uma análise do Bendak, do site Eyes of The Beast (um dos hunters mais conhecidos e respeitados do planeta, junto com o Rogerbrown, da Method, entre outros jogadores excepcionais da classe) ele comentou que o set novo só valeria a pena se o upgrade de ilevel fosse de 20 a 25 níveis, e a porcentagem de ganho é na casa dos 2 a 3%! Essa taxa de ganho é altamente desanimadora. Como eu tinha conseguido algumas peças de “Forja Titânica” na sorte, meio que diminuía as chances de troca de equipamentos do personagem em alguns slots, diminuindo a margem de troca e tendo de farmar determinados chefes no heróico pra justificar o uso do set novo. Só que ainda é difícil estimar o real ganho do novo set, por não ter conseguido ainda nenhuma peça, e por não ter tentado os outros chefes esta semana no heróico (algo que pretendo tentar nos próximos dias) então não tive sorte de conseguir nenhuma peça nos pugs de heróico e normal.

Com um conjunto tão desfavorável pra classe, novamente a Blizzard quer enfiar goela abaixo que “você tem de usar outras specs”, e nem todos tem interesse direto nisso. Você perde a sua individualidade e o seu estilo de jogo em troca de um sistema ainda engessado, mas que, felizmente, irá mudar na próxima expansão com as customizações de equipamentos e o “Coração de Azeroth”. A produtora até que chegou a “melhorar” o bônus de 4 partes aumentando em 1 segundo o ganho do Aspecto do Indomado, mas as simulações iniciais do Simulationcraft são bem desanimadoras: a especialização ficou entre as últimas de dano direto, iniciando mais uma época que muitos hunters fazem a migração de spec.

Provavelmente a galera dos pugs que conseguiu matar o Argus deve deixar por encerrada a progressão heróica, ou talvez o jogador ainda tem pretensão de tentar algum raid spot numa guilda maior em servidores que tenham mais guildas e progressão. No meu caso eu devo só fechar os 11 chefes de maneira cadenciada, talvez começando essa etapa apenas na próxima semana. Mas ainda tenho 2 desafios que quero fazer em PvE: fechar uma masmorra mítica +15 e a Torre dos Magos, mas na spec de BM. Ainda quero pegar mais equipamentos e fazer experimentações na spec com pelo menos 2 peças do set novo, em conjunto com as 4 partes da Tumba, e assim separar umas horas pra tentar o desafio. Como o transmog inicial da Torre dos Magos não poderá mais ser obtido após o Legion, acaba sendo uma contagem regressiva de alguns meses pra continuar tentando. Até que não está mais tão difícil na situação que eu estou no momento, mas com mais equipamentos de ilevel acima de 945 o dano será maior, e devo melhorar alguns lendários pra poder tentar com outros setups, como as Raízes de Shaladrassil, que ajudam bastante a ter cura em alguns momentos.

World of Warcraft Legion - O AOTC de Argus