Project Beast - PS4 - From Software - Shadow Tower Index


Project Beast - PS4 - From Software - Shadow Tower

O hypetrain do Project Beast acabou de chegar na segunda estação, e inicialmente a segunda parada vem mais indigesta do que o costume. Mas vamos comigo que o assunto é maneiro! Agora pouco no Twitter o VaatiVidya linkou este artigo do Fextralife, onde o J.C. Wigriff comentou que o novo projeto da From Software na verdade é um novo game da série Shadow Tower. A série é pouco conhecida da maioria dos jogadores: lançado inicialmente para o primeiro PlayStation, Shadow Tower é um game medieval em primeira pessoa lançado em 1998, situado no continente de Eclipse, na Terra Sagrada de Zepter. Segundo a Wikipédia, o jogador é um mercenário chamado Ruus Hardy. Ao retornar para a cidade, ele descobre que a cidade e a sua torre central foram engolidas para o submundo. Ruus encontra um velho que dá a ele a Dark One, a única espada capaz de ferir os demônios responsáveis pelos problemas da cidade. Jurando resgatar a senhora que o criou, junto com o restante de Zeptar, Ruus desce até o submundo.

Notaram aqui a primeira semelhança com a série Souls? Em Demon’s Souls o herói (no caso o jogador) vai para a terra de Boletaria após descobrir as mazelas que aconteceram na região. Citando a Wikipédia:



King Allant décimo segundo, em busca de poder e de prosperidade, canalizou o poder das almas. Ele trouxe prosperidade sem precedentes para o seu reino do norte Boletaria. Isto é, até um nevoeiro espesso preto cobrir todas as terras periféricas, a fim de cortar o reino do mundo exterior. Aqueles que entraram no nevoeiro nunca mais retornaram.

Mas foi apenas quando Vallarfax das Reais Presas Gêmeas conseguiu sair do nevoeiro que o mundo soube sobre a situação de Boletaria. Ao canalizar as almas, o Rei Allanti despertou O Antigo, uma grande besta que reside abaixo do Nexus. Com o despertar do Antigo, uma névoa escura varreu Boletária, libertando demônios que se alimentam das almas dos vivos. Os que perderam as suas almas perdem também a sua sanidade e se tornam violentos. O caos reinava, a loucura atacando a sanidade. Os Demônios cresceram e ficaram mais fortes e poderosos a cada alma que devoravam. A lenda diz que vários guerreiros entraram na terra amaldiçoada, mas nenhum deles retornou.

Em Dark Souls II temos esse estilo de aventura ainda mais evidente, onde o jogador vai para a terra de Drangleic através de um portal/redemoinho, para se curar de uma maldição dos mortos-vivos, iniciando uma jornada ao desconhecido. O primeiro Dark Souls também tem essa premissa, mas o jogador já inicia no próprio mundo do jogo, mas se for analisar bem, a parte onde o corvo pega o jogador já simboliza a estrutura da Jornada do Herói, o conceito de jornada cíclica presente em mitos, de acordo com o antropólogo Joseph Campbell. O herói está em um mundo comum ou medieval, e com isso, “um problema se apresenta ao herói: um desafio ou a aventura”, com o jogador iniciando a jornada através do desconhecido. Vou citar aqui as 12 jornadas, pois a plot do Shadow Tower praticamente bebe das ideias e conceitos de Campbell (e acredito que a maioria esmagadora dos jogos e estórias usam a mesma estrutura narrativa):

Os 12 Estágios da Jornada do Herói

  1. Mundo Comum – O mundo normal do herói antes da história começar.
  2. O Chamado da Aventura – Um problema se apresenta ao herói: um desafio ou a aventura.
  3. Reticência do Herói ou Recusa do Chamado – O herói recusa ou demora a aceitar o desafio ou aventura, geralmente porque tem medo.
  4. Encontro com o mentor ou Ajuda Sobrenatural – O herói encontra um mentor que o faz aceitar o chamado e o informa e treina para sua aventura.
  5. Cruzamento do Primeiro Portal – O herói abandona o mundo comum para entrar no mundo especial ou mágico.
  6. Provações, aliados e inimigos ou A Barriga da Baleia – O herói enfrenta testes, encontra aliados e enfrenta inimigos, de forma que aprende as regras do mundo especial.
  7. Aproximação – O herói tem êxitos durante as provações
  8. Provação difícil ou traumática – A maior crise da aventura, de vida ou morte.
  9. Recompensa – O herói enfrentou a morte, se sobrepõe ao seu medo e agora ganha uma recompensa (o elixir).
  10. O Caminho de Volta – O herói deve voltar para o mundo comum.
  11. Ressurreição do Herói – Outro teste no qual o herói enfrenta a morte, e deve usar tudo que foi aprendido.
  12. Regresso com o Elixir – O herói volta para casa com o “elixir“, e o usa para ajudar todos no mundo comum.

Heroes Journey

Mas voltemos ao Shadow Tower. Alguns elementos do jogo foram usados na série Souls: o estilo orientado a ação no estilo dungeon crawl, a durabilidade de armas, com o jogador tendo de reparar as armas. A inexistência de música nos mapas. A inexistência de um “mapa” que poderia ajudar a guiar o jogador. Já um elemento um pouco difícil de entender é na questão da evolução: segundo a Wikipedia o jogador não ganha pontos de experiência de maneira normal: o aumento do poder do jogador é diretamente relacionado às mortes dos monstros do game. Monstros diferentes irão aumentar atributos diferentes do personagem.

Outros elementos mais contundentes citados por Wigriff (que tem mais referências ao Shadow Tower: Abyss, continuação lançada para PlayStation 2) temos a ligação simbólica e de mecânicas entre os jogos da série Shadow Tower, a série Souls e a série King’s Field, sendo que este último é considerado o antecessor espiritual da série Souls. Também temos o uso de armas de fogo, a munição escassa e a possibilidade do jogador equipar uma arma de fogo em uma das mãos e outra arma melee em outra, e tanto as armas quanto os equipamentos tem medidores de durabilidade. E como acontece com o Demon’s Souls e os jogos da série Dark Souls, Shadow Tower foca na coleta de almas dos mortos para aumentar os atributos do personagem e a eficiência dos equipamentos.

Shadow Tower - Guns

Outro elemento é que o estilo da fonte true-type da letra “O” (de PROJECT BEAST) da logo é similar a da boxart do Shadow Tower. Confira:

Project Beast - Shadow Tower Boxart Logo

Depois dessas informações, tudo, tudo faz sentido. As armas nas mãos dos personagens, o game com aspecto mais sombrio. As referências que a série Souls pegou tanto desse jogo quanto da série King’s Field… talvez a única diferença seja a questão da câmera, que poderá ficar em terceira pessoa, o que acho bem mais interessante. Mas e se a From Software unisse os 2 mundos? Um Demon’s Souls: Shadow Tower, mostrando os embates em uma torre gigantesca e sombria pode ser relativamente interessante, mas com tantas referências, é muito mais provável da From Software apresentar um novo game da série Shadow Tower para o PlayStation 4. Se eu fosse chutar um nome, provavelmente o game poderá se chamar Shadow Tower: Beast , em alusão ao “Project Beast”. Mas hoje a marca “Souls” é mais forte e traria mais vendas, mas acho que se tiver um game que não seja um jogo da série Souls, mas com mecânicas similares, provavelmente a comunidade será bem receptiva quanto a este novo game. Ou talvez a From Software pode iniciar uma nova franquia, incluindo mecânicas de diversas séries, mas que pode acabar sendo mais focada nas mecânicas conhecidas da série Souls.

Project Beast - PS4 - From Software - Shadow Tower - Combat Screen

Project Beast - PS4 - From Software - Shadow Tower - Nightmare Hound

Project Beast - PS4 - From Software - Shadow Tower - Fog Door

Mas teremos de continuar esperando. As apostas de muitos jogadores é da From Software e da Sony mostrar o game nesta E3, entre os dias 10 a 12 de junho. Até lá outras teorias do game podem surgir na net. Apesar de ainda não ter sido revelado, as imagens vazadas sugerem fortemente um game novo, e como tem elementos da série Souls (o portão de névoa, a ambientação e os inimigos) todos apostam em Demon’s Souls 2. Mas com as evidências acima, a questão fica mais complexa. E o hypetrain está partindo da estação…

Hypetrain - Project Beast - From Software







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