Sempre tive a curiosidade de jogar algo do Suda 51. Como amante de coisas bizarras, eu sentia uma obrigação de jogar qualquer coisa produzida pelo malucão beleza. O problema era a dificuldade de ter acesso aos seus jogos, devido a falta de um Nintendo Wii para jogar No More Heroes e ser difícil achar Killer 7.

Eis que surge um novo projeto da Grasshopper Manufacture, estúdio do menino Suda, onde teríamos a participação de Shinji Mikami e trilha sonora do mestre Akira Yamaoka. Óbvio que o trem do hype veio a todo vapor.



Quando Shadows of the Damned saiu no ano passado, ninguém deu bola. Algo comum com os jogos do Suda, o grande público não aceita muito por ser muito lúdico e diferente dos outros jogos e serem curtos. São sempre medianos nas notas, nunca passam de 8.

Mesmo assim, um ano depois eu joguei e olha, eu gostei muito do que vi/joguei.

Após terminar mais um trabalho como caçador de demônios, Garcia “Fucking” Hotspur tem um bicho feio em seus pés e antes de morrer ele pergunta como está a amada do nosso amigo hispânico tatuado, se ela está ‘segurando firme’. Então Garcia corre loucamente para o seu apartamento e vê que sua amada Paula se matou enforcada. E do nada o grande Senhor das Trevas pega a garota e arrasta-a para o inferno para ser sua.

Claro que Garcia não deixa barato e vai para o inferno resgatar sua namorada maluca que supostamente conheceu em um lixão e deu um trato nela (entenda como quiser). E para auxiliar nosso latino matador de demônios, temos um ex-demônio em formato de caveira: Johnson (que também é usado como sinônimo para pênis. Sério).

Você não tem nenhum contato com a Paula mas mesmo assim durante todo o jogo ele se preocupa em estabelecer uma relação forte entre ela e o protagonista. As histórias que Garcia conta dela, de como eles se conheceram e como ela é uma eximia atiradora, constrói esse “lindo” relacionamento.

Johnson é o equivalente do Wheatley de Portal 2. Ele é o alivio cômico e faz a maioria das piadas envolvendo genitais. Na verdade o jogo todo é recheado de piadas “sujas”. Um ótimo exemplo é o nome de sua pistola: Ereção (tradução de ‘boner’). E com upgrades ela vira Tesão Quente (Hot Boner). Não para por aí, existe um fase chamada “Big Boner” onde a dupla dinâmica recebe um cartão: “Já está com tesão? Liga pra gente! Vamos transforma-lo em um TESÃO AINDA MAIOR”.

Eles ligam para lá e nosso amigo Johnson aumenta de tamanho e… Vocês não sabem o quão estranho é descrever essa fase. O que eu quero dizer é que Johnson serve como um pênis para Garcia e você precisa atirar nesses monstros gigantes. A cada tiro Garcia grita “PROVA O MEU TESÃO”. Suda 51 seu japonês doente dos inferno.

Além das perversidades temos alguns elementos bizarros. Primeiramente é bom falar que além dos atirar em demônios que nem um desvairado, temos a escuridão. Demônios não gostam muito de luz, então quando toca um sino uma enorme onda de escuridão vem e ela faz mal para Garcia. Logo, precisamos de uma fonte de energia. Quando você pensa em fonte de luz qual é a primeira coisa que lhe vem a cabeça? Claro que é um bode.

Se para acabar com a escuridão é preciso atirar em um bode, você já sabe que Shadows of the Damned não é um jogo normal. Além disso para destravar portas você precisa colocar morango, um olho ou um cérebro. Eles servirão de alimento para os bebês que guardam as portas. Sério.

Eu posso continuar a falar da atmosfera do game e quão rica e maluca ela é, mas algumas coisas precisam ficar escondidas para não estragar a experiência como um todo.

É muito gostoso jogar Shadows. Shinji Mikami conseguiu aprimorar a jogabilidade de Resident Evil 4 agora com a possibilidade de rolar e andar enquanto atira. Isso torna a jogabilidade mais fluída, a deixa mais prazerosa, é gostoso atirar nesses demônios.

Para dar mais vida e mais diversidade, temos alguma seções interessantes que quebram um pouco ‘atirar-atirar-recarregar-correr’. São fases bem interessantes, um exemplo é a fase Big Boner que já foi mencionado antes. Além de pequenos quebra-cabeças, bem estilo Resident Evil.

Toda essa atmosfera também é sentida no maravilhoso trabalho de som de Akira Yamaoka. Ele fez todas as músicas e sons do jogo, um trabalho impressionante já que ajuda na imersão naquele mundo deturpado. A variedade da trilha sonora também é muita boa, vai daquele punk rock maneiro até as músicas mexicanas com mariachis. E nenhuma delas tira o ambiente de SotD.

Sabe quando você faz uma viagem de 2 dias para algum lugar histórico? . Você fica abismado com a arquitetura e com a representatividade do local para o mundo, você aproveita bastante e mesmo sendo dois dias, foi a melhor viagem que já fez.

Shadows of the Damned é exatamente isso. Mesmo durando entre 6 e 10 horas, você não sente o tempo passar, aproveita cada momento e ri de cada piada envolvendo pênis.

Por favor, vamos continuar dando dinheiro para o Suda 51 fazer esses experimentos.







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